Ganga Aarti in India: Rishikesh, Haridwar, and Varanasi

Ao final de cada ritual de adoração (pooja ou bhajan) ao Senhor ou para dar boas-vindas a importantes hóspedes ou santos, nós executamos o aarati. Ele é sempre acompanhado de sinos tocando e algumas vezes de canto, instrumentos musicais e palmas.

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Cada parte é revelada individualmente e também a forma completa do Senhor. À medida que a luz circula, entoamos mentalmente ou em voz alta preces, ou simplesmente contemplamos a bela forma do Senhor, iluminada pela lamparina. Ao final do aarati, colocamos as mãos sobre as chamas e depois gentilmente tocamos nossos olhos e o topo da cabeça.

Nós vemos e participamos desse ritual desde a infância. Vamos entender porque fazemos o aarati?

Tendo adorado o Senhor do amor – ao executar abhisheka, decorando a imagem e oferecendo frutas e iguarias, nós vemos a beleza do Senhor em toda a Sua glória. Nossas mentes ficam focadas em cada membro do Senhor a medida que a luz da lamparina as ilumina. Isso é um convite para silenciosamente meditar sobre a Vossa Beleza de olhos abertos. Os cantos, as palmas, tocar dos sinos, etc. denotam a alegria e auspiciosidade que acompanham a visão do Senhor.

O aarati é em geral realizado com cânfora, ela abarca um significado espiritual. A cânfora quando acesa é consumida completamente sem deixar qualquer traço de si. Isso representa nossas tendências inerentes (vaaasanas). Quando queimado pelo fogo do conhecimento que ilumina o Senhor (Verdade), nossos vaasanas são consumidos completamente, sem deixar traços do ego que cria em nós um senso de individualidade que nos torna separados do Senhor.

Assim, enquanto a cânfora queima para revelar as glórias do Senhor, ela dissipa um perfume agradável ao mesmo tempo que ela sacrifica a si própria. No nosso progresso espiritual, mesmo quando servimos o guru e a sociedade, devemos conscientemente nos sacrificar e sacrificar a tudo que temos para dissipar o “perfume” do amor a todos. Nós normalmente esperamos bastante para ver o Senhor iluminado, mas quando o aarati é de fato realizado, nossos olhos se fecham automaticamente como que para olhar para dentro. Isso  significa que cada um de nós é o templo do Senhor.

Assim como o sacerdote revela a forma do Senhor claramente com a chama do aarati, da mesma forma o Guru nos revela a Divindade dentro de cada um com a ajuda da “chama” do conhecimento (ou a luz do conhecimento espiritual). Ao final do aarati, colocamos as mãos sobre a chama e depois tocamos nossos olhos e o topo da cabeça. Isso significa “Que a luz que iluminou o Senhor ilumine minha visão, para que seja Divina e os meus pensamentos sejam nobres e belos”.

O significado filosófico do aarati vai além. O sol, a lua, as estrelas, relâmpagos e o fogo são fontes naturais de luz. O Senhor é a fonte desse fenômeno maravilhoso que é o universo. Quando ascendemos a lamparina ao Senhor com a chama do aarati, voltamos nossa atenção à própria fonte de todas as luzes, que simboliza o conhecimento e a vida.

O sol é a deidade que governa o intelecto, a lua é da mente e o fogo da fala. O Senhor é a consciência suprema que ilumina a todos eles. Sem Ele, o intelecto não pode pensar, a mente não pode sentir e a língua não pode falar. Como poderia um equipamento finito iluminar o Senhor?

Dessa forma, quando executamos o aarati, cantamos:

na tatra suryo bhaati na chandra taarakam
nemaa vidyuto bhaanti kutoyamagnib
tameva bhaantam anubhaati sarvam
tasya bhasa sarvam idam vibhaati

Ele está onde o sol não brilha
Nem a lua, estrêlas e o relâmpago
Então o que dizer dessa pequena chama (em minhas mãos)?
Tudo (no universo) brilha somente pelo Senhor
E pela Vossa  luz somente somos iluminados

Swami Chinmayananda