A Yoga do Ser Supremo

O décimo quinto capítulo é o mais belo da Bhagavad Gita. Entre os dezoito capítulos da Bhagavad Gita, os de número 12 e 15 são os mais curtos, consistindo em apenas vinte versos cada um. O décimo quinto capítulo, Purushottama Yoga, “A Yoga do Ser Supremo”, também é um dos poucos que contêm apenas discursos do Senhor; não há perguntas de Arjuna. Este pequeno capítulo é memorizado e entoado por monges em muitos ashrams na Índia antes das refeições.

Este capítulo explica o conceito da trindade, um conceito central em muitas religiões. No Cristianismo, ela é apresentada como Deus o Pai, Jesus o Filho e o Espírito Santo. Neste capítulo,
são descritos: kshara (perecível), akshara (imperecível) e Purushottama (Ser Supremo).

Todo ser humano é uma escritura viva. Todo ser humano é uma Bhagavad Gita. Todos são potencialmente divinos. A compreensão da própria divindade por meio do cultivo da alma é um direito de nascença de cada um, e isso independe de idade, sexo, raça, língua, nacionalidade ou religião – é o principal dever de cada pessoa fazer o melhor de si para realizar o Ser. Alexander Pope escreveu em seu Ensaio Sobre o Homem:

Conhece-te a ti mesmo, a Deus evita exame; o estudo apropriado da humanidade é o ser humano.

Todo ser humano tem três corpos: denso, astral e causal. Esses três corpos juntos são o templo do Deus Todo-Poderoso. A alma imperecível e o Pai Supremo Todo-Poderoso existem no corpo perecível, e nascemos para perceber, conceber e realizar essa verdade.

Cada corpo humano é como uma árvore. Uma árvore absorve energia e a transforma em folhas, botões, flores e frutos. Uma árvore é conhecida por seus frutos. O fruto de cada corpo humano é uma testemunha da qualidade de vida desse indivíduo. Na Bíblia (Mateus 7:17-20), há uma metáfora sobre a árvore do corpo, bem fácil de ser compreendida. “Toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão.”

O décimo quinto capítulo da Bhagavad Gita começa com a descrição da árvore do corpo e suas belas características. Em cada árvore do corpo humano, há qualidades boas e más, mas um indivíduo racional deve ir à raiz de toda atividade, que é a respiração, abandonar todas as más qualidades e, por fim, proceder ao Supremo Pai Todo-Poderoso. Deus permeia tudo, mas a Sua presença se manifesta com mais intensidade nos seres humanos, razão pela qual o ser humano é chamado de criação suprema. Os seres humanos, através da sua racionalidade, podem alcançar o estado de divindade e a realização de Deus.

Para realizar Deus, você não precisa ir a uma caverna, às montanhas ou à selva, mas sim à caverna do crânio, onde você poderá realizar o seu próprio Ser. Está em suas mãos.

Extraído do livro: Bhagavad Gita, de Paramahamsa Hariharananda

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